15/6/2026 - Pela primeira vez, três servidoras da Polícia Judicial do Tribunal Superior do Trabalho (TST) participaram de um projeto pioneiro para se tornarem instrutoras de armamento e tiro da instituição. A iniciativa buscou suprir a carência de mulheres nessa função e oferecer uma abordagem técnica diferenciada, adaptada à anatomia e às necessidades femininas.
A formação exclusiva para mulheres teve carga horária total de 90 horas, sendo 40 horas na modalidade a distância e 50 horas presenciais. As atividades práticas ocorreram entre os dias 3 e 8 de junho, em estandes de tiro em Sobradinho e Brazlândia. Com a conclusão do curso, as policiais estão aptas a atuar na formação de novos agentes e nos programas obrigatórios de reciclagem anual da Polícia Judicial.
Para a coordenadora da Coordenadoria de Policiamento (Copol), Franciely Lourenção, a ampliação da presença feminina em áreas operacionais representa um avanço importante para a segurança institucional e contribui para romper paradigmas historicamente associados à atividade policial.
“A atuação de mulheres na área operacional da Polícia Judicial transforma a dinâmica da segurança institucional. Nós trazemos um olhar técnico refinado e competências indispensáveis para o cenário atual, como inteligência estratégica, precisão técnica e alta capacidade de mediação de conflitos”, afirma.
Atualmente, a Secretaria de Polícia do TST conta com dez policiais mulheres. Destas, oito atuam diretamente no serviço operacional e estão habilitadas ao porte de arma de fogo.
Mais mulheres
A iniciativa surgiu da percepção das próprias policiais de que não havia mulheres atuando como instrutoras no curso de Armamento e Tiro no Tribunal. Diante desse cenário, Lisiane Carpaneda, Cinthia da Silva e Ana Carolina Caetano desenvolveram uma proposta para ampliar a participação feminina na atividade e a encaminharam à Secretaria de Polícia e à Presidência do TST, que acolheram o projeto e viabilizaram sua implementação.
“Essa iniciativa foi muito incentivada pelos colegas. Eles ajudaram na elaboração do projeto e deram apoio para que conseguíssemos a aprovação”, relata Cinthia.
Para as policiais, a formação também representa um passo importante na valorização da presença feminina em funções estratégicas da segurança institucional. Segundo Ana Carolina, para além da representatividade, a atuação de instrutoras mulheres permite abordar com mais precisão características físicas que influenciam o manuseio da arma e a execução das técnicas de tiro, o que contribui para um treinamento mais efetivo.
“A mulher traz uma visão diferente, inclusive pela anatomia do corpo e das mãos. A forma de instrução e o cuidado durante os treinamentos fazem diferença”, afirma.
A expectativa das servidoras é que a iniciativa incentive outras mulheres a ingressarem e ocuparem posições de destaque na Polícia Judicial nos próximos anos, sobretudo em áreas especializadas de segurança institucional.
Capacitação contínua
Além da conquista representada pela formação das novas instrutoras, Lisiane, Ana Carolina e Cinthia ressaltam que a qualificação permanente é um dos pilares da atividade policial. Para elas, o treinamento contínuo é fundamental para assegurar preparo técnico, equilíbrio emocional e responsabilidade no exercício da função.
“A arma de fogo exige muito preparo e responsabilidade. O treinamento contínuo é fundamental para que possamos atuar com segurança e profissionalismo”, destaca Ana Carolina.
Franciely Lourenção reforça que a atuação da Polícia Judicial vai muito além do emprego ostensivo da força. Segundo a coordenadora, grande parte do trabalho desenvolvido pela corporação está relacionada à prevenção de riscos, ao planejamento e à inteligência institucional.
“Atuamos de maneira ininterrupta e, por isso, nosso sucesso é medido pelo que não acontece, o que torna o nosso êxito quase invisível aos olhos do público. Realizar a segurança orgânica do Tribunal vai muito além da força física”, explica.
Para garantir o aprimoramento constante dos agentes, a Polícia Judicial do TST mantém parcerias de capacitação com instituições como a Polícia Federal, a Polícia Civil do Distrito Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Exército Brasileiro.
“Quanto mais pessoas capacitadas, melhor preparada estará a nossa polícia. A capacitação é primordial para garantir excelência no serviço prestado”, conclui Lisiane.
(Sofia Martinello/KF)